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Roupas de época

 

Deus fez vestimentas para Adão e Eva. "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu" (Gênesis 3:21). Esta vestimenta (Hebraico, kethon) era uma camisa simples feita de pele de animal. Mais tarde, os hebreus começaram a fazer camisas de linho ou de seda (para pessoas importantes). Assim, lemos que José usava "uma túnica talar de mangas compridas" (Gênesis 37:3), que a ERC traduz como "túnica de várias cores".

            Embora o kethon tenha permanecido como costume do povo comum, outra forma de vestido chamada simlah entrou em moda. Sem e Jafé tomaram esta vestimenta para cobrir a nudez de seu pai (Gênesis 9:23). A princípio, os israelitas faziam a simlah de lã, porém mais tarde usava-se pêlo de camelo. Tratava-se de uma vestimenta exterior semelhante a um lençol grande com um capuz, e os judeus a usavam como roupa de frio. Os pobres a usavam como vestido básico de dia e como capa de noite (Êxodo 22:26-27).

            Em casa, em ocasiões especiais, os israelitas usavam o beged. Isaque e Rebeca vestiram seu filho Jacó com esta roupa, que eles consideravam a melhor (Gênesis 27:15). Os israelitas consideravam o beged um distintivo de dignidade do usuário, e era usado por membros distintos de famílias importantes. Depois de instituídos os rituais do templo, os sacerdotes passaram a usar o beged.

            O quarto artigo de vestuário, o lebhosh (que significa "vestir"), era de uso geral. Contudo, com o tempo tornou-se uma vestimenta exterior tanto para os ricos como para os pobres. Assim, diz a Bíblia que Mordecai usava um lebhosh de pano de saco (Ester 4:2), enquanto um lebhosh mais requintado podia servir de "veste real" (Ester 8:15). O Salmista referiu-se a esta vestimenta quando escreveu: "Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes" (Salmo 22:18).

            Finalmente, a addereth era usada para indicar que o usuário era uma pessoa de importância (Josué 7:21). Esta vestimenta era também um tipo de capa ou abrigo exterior. Tal capa ainda é usada hoje por muitos na Palestina, sem levar em conta sua posição social.


O TIPO DE TECIDOS USADOS NAS VESTES

 

O linho era um tecido versátil, podendo ser grosseiro e espesso, ou muito fino e delicado. O linho fino e quase transparente dos egípcios gozava de alta reputação. Também faziam eles linho grosseiro, tão pesado que podia ser usado para tapetes ou para cobrir o chão.

            Os tecidos de linho fino eram usados pelos que desfrutavam de posições sociais elevadas ou de riqueza (cf. Lucas 16:19), e os tecidos grosseiros eram usados pela gente comum. Os egípcios vestiram José com linho fino quando o fizeram seu governador (Gênesis 41:42).

 

Lã. Os judeus usavam a lã de ovelha como o principal material para roupas.  Os mercadores da cidade de Damasco,  na Síria, encontraram na cidade portuária de Tiro um mercado pronto para sua fina lã (Ezequiel 27:15). A lã é um dos mais antigos materiais usados para roupa tecida.

 

Seda. Ezequiel 16:10, 13 descreve a seda como um tecido de grande valor. As palavras hebraicas para este pano eram sheshí e meshí. Alguns eruditos pensam que o termo encontrado em Provérbios 31:22 (sheshí) refira-se ao linho fino. 

            A fina qualidade e a cor viva dos tecidos aumentavam-lhes o valor, de modo que a seda mantinha uma importante posição no mundo antigo. Os amantes do luxo da "Babilônia" (Roma?) do Novo Testamento prezavam muito a seda (Apocalipse 18:12). Em data tardia como o ano 275 de nossa era, os artigos de seda pura valiam o seu peso em ouro.o de saco. Os israelitas usa

Algodão. Não sabemos se os israelitas faziam roupas de algodão. A palavra hebraica pishtah significava um tipo de material de origem vegetal, em contraposição ao material de origem animal como a lã. O termo pode referir-se à planta do linho, ou ao algodoeiro.

            Embora a palavra hebraica karpas geralmente fosse traduzida por cor (Ester 1:6; 8:15), é possível que se refira ao algodão. Tanto a Síria como a Palestina cultivam algodão hoje; mas não se sabe se os hebreus, antes de entrarem em contato com a Pérsia, o conheciam.
 

 

TIPOS DE ORNAMENTOS UTILIZADOS

 

Os judeus varões usavam braceletes, anéis, correntes e colares de vários tipos. No Oriente Próximo, ambos os sexos usavam cadeias de ouro como ornamento e símbolo de dignidade. Os oficiais do governo colocaram tais cadeias em José e em Daniel como símbolo de soberania (Gênesis 41:42; Daniel 5:29). Os judeus homens tinham uma paixão por melhorar sua aparência pessoal, e amiúde usavam jóias para este fim. É provável que a arte de joalheria tenha-se desenvolvido num período bem primitivo (Números 31:50; Oséias 2:13).

 

 

 

Anéis. O judeu usava o anel como selo e símbolo de sua autoridade (Gênesis 41:42; Daniel 6:17). Com o sinete ele estampava seu selo pessoal nos documentos oficiais. Podia ser usado num cordão em torno do pescoço ou no dedo. Os homens também usavam anéis ou faixas nos braços (cf. 2 Samuel 1:10).

            Nada menos que dez anéis foram encontrados numa das mãos de uma múmia egípcia, indicando que o mercado de jóias era muito ativo. Nas batalhas, os soldados tiravam braceletes e argolas usadas nos tornozelos dos inimigos e os levavam como despojos. Depois de matar a Saul, o amalequita trouxe a Davi o bracelete de Saul como prova de sua morte (2 Samuel 1:10).

Filactérios. Para contrapor-se à prática idólatra de usar amuletos, os varões hebreus começaram a usar filactérios. Havia dois tipos de filactérios: um usado entre as sobrancelhas, e outro no braço esquerdo. O que se usava na testa chamava-se frontal. Tinha quatro compartimentos, cada um dos quais continha um pedaço de pergaminho. No primeiro estava escrito Êxodo 13:1-10; no segundo, Êxodo 13:11-16; no terceiro, Deuteronômio 6:4-9, e no quarto, Deuteronômio, 11:13-21. Esses quatro pedaços de papel eram embrulhados em pele de animal, fazendo um pacote quadrado. Este pacotinho era então atado à testa com uma correia ou fita. Essas passagens bíblicas continham ordens de Deus para que se lembrassem de sua Lei e obedecessem a ela.

O filactério que o homem usava no braço era feito de dois rolos de pergaminho, nos quais as leis eram escritas com tinta especial. O pergaminho era parcialmente enrolado, encerrado num estojo preto de pele de bezerro, e atado com uma correia na parte superior do braço, junto ao cotovelo. A correia era então enrolada em torno do braço em linhas cruzadas, terminando na ponta do dedo médio. Alguns judeus usavam os filactérios de manhã e de noite; outros os usavam somente na oração matutina. Nos sábados e em outros dias sagrados não se usavam os filactérios; esses dias eram em si mesmos sinais sagrados, de sorte que era desnecessário usá-los. 

 

Penteado. Os varões hebreus consideravam o cabelo um ornamento pessoal importante, por isso lhe dispensavam muito cuidado e atenção. Os monumentos egípcios e assírios mostram exemplos de arranjos esmerados do cabelo nessas culturas. Os egípcios também usavam vários tipos de perucas. Porém vemos uma importante diferença entre os penteados dos hebreus e dos egípcios em Gênesis 41:14, onde se diz que José "se barbeou" antes de apresentar-se a Faraó. Um egípcio ter-se-ia contentado em pentear o cabelo e aparar a barba; mas os homens hebreus cortavam o cabelo quase como o cortam hoje os homens do Ocidente, usando um tipo primitivo de tesoura (2 Samuel 14:26). A palavra cortava, neste texto, significa "cortar o cabelo da cabeça" (tosar). Os judeus também usavam navalhas, como vemos em Números 6:5.

            Quando um judeu fazia um voto religioso, ele não cortava o cabelo (cf. Juizes 13:5). Os israelitas não deviam cortar o cabelo tão rente que se assemelhassem a deuses pagãos que tinham a cabeça raspada. Nem deviam parecer-se com os nazireus, que se recusavam a cortar o cabelo (Ezequiel 44:20). Nos tempos do Novo Testamento, o cabelo comprido nos homens era considerado contrário à natureza (1 Coríntios 11:14).

            Amiúde os homens aplicavam óleo perfumado ao cabelo antes de festivais ou de outras ocasiões jubilosas (Salmo 23:5). Jesus menciona este costume em Lucas 7:46, quando diz: "Não me ungiste a cabeça com óleo...

"O homem judeu também dispensava muita atenção ao cuidado da barba. Era insulto tentar tocar a barba de um homem, exceto ao beijá-la respeitosa e afetuosamente como sinal de amizade (2 Samuel 20:9). Arrancar a barba, cortá-la inteiramente, ou descurar de apará-la eram expressões de profundo lamento (cf. Esdras 9:3; Isaías 15:2; Jeremias 41:5).

            

 

ORNAMENTO FEMININO

As mulheres usavam roupas muito semelhantes às dos homens. Contudo, a lei proibia estritamente a uma mulher usar qualquer coisa que se julgasse pertencer particularmente a um homem, tal como o sinete e outros ornamentos. De acordo com Josefo, historiador judeu, também se proibia às mulheres usar as armas de um homem. Por semelhante modo, era proibido aos homens usar o manto exterior de uma mulher (Deuteronômio 22:5).

Vestimenta exterior. A vestimenta exterior da mulher hebréia diferia da do homem.  Era mais comprida,  com borda e franja suficientes para cobrir os pés (Isaías 47:22). Prendia-se à cintura por um cinto. Como no caso dos homens, a vestimenta da mulher podia ser feita de materiais diferentes, de acordo com a condição social da pessoa

Véu. As hebréias não usavam véu todo o tempo, como agora é costume em muitas das terras do Oriente Próximo. Usar véu era um ato de modéstia, geralmente a indicar que a mulher não era casada. Quando Rebeca viu a Isaque pela primeira vez, não estava usando véu; porém ela se cobriu com um véu antes que Isaque a visse (Gênesis 24:65).  As mulheres dos tempos do Novo Testamento cobriam a cabeça durante o culto, mas não necessariamente o rosto (1 Coríntios 11:5).

Jóias.  A Bíblia menciona jóias pela primeira vez quando o servo de Abraão presenteou a Rebeca com brincos e pulseiras (Gênesis 24:22). Jeremias descreveu bem a atração que a mulher judia tinha pelas jóias, quando disse: "Acaso se esquece a virgem dos seus adornos?" As mulheres hebréias usavam pulseiras, colares, brincos, anéis de nariz, e cadeias de ouro. Isaías 3:16, 18, 23 dá um quadro gráfico da mulher ornamentada de acordo com a moda dos tempos do Antigo Testamento.

Tanto as mulheres como os homens hebreus usavam braceletes ou pulseiras (Gênesis 24:30). Hoje, os povos do Oriente Próximo consideram o bracelete de uma mulher como emblema de elevado status ou realeza, como provavelmente era no tempo de Davi (2 Samuel 1:10). O bracelete real por certo era feito de metal precioso, como ouro, e era usado acima do cotovelo. O bracelete da mulher comum podia ter sido usado no pulso, como o é hoje (Ezequiel 16:11). Em sua maioria, os braceletes das mulheres eram redondos para deslizar sobre a mão. Alguns braceletes eram feitos de duas partes que se abriam numa dobradiça e se fechavam com um laço ou alfinete. Os braceletes variavam de tamanho, desde alguns centímetros de largura até faixas estreitas

 

Era tão comum as mulheres usarem argolas no tornozelo como usarem braceletes. Essas argolas eram feitas quase dos mesmos materiais (Isaías 3:16, 18, 20). Algumas argolas tilintavam um som musical quando as mulheres andavam. As mulheres da classe alta usavam argolas ocas cheias de pedrinhas, de modo que se podia ouvir o som de matraca quando andavam.

 

Não temos certeza quanto à forma dos brincos hebreus, mas textos das Escrituras sugerem que eram redondos (p.  ex., Gênesis 24:22). Os brincos egípcios eram geralmente grandes aros de ouro, de 3 a 5 cm de diâmetro. Vez por outra os aros eram presos juntos ou se adicionavam pedras preciosas para causar sensação.

 

Penteado. O apóstolo Paulo disse que o cabelo era um véu natural, ou mantilha, para a mulher; ele dá a entender que no seu tempo era vergonhoso uma cristã cortar o cabelo (1 Coríntios 11:15). As mulheres usavam o cabelo longo e trançado. O Talmude menciona que as judias usavam pentes e grampos.


 

Fonte:Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos

J. I. Packer & Merril C. Tenney & William White Jr.

Editora: Vida

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